quinta-feira, 28 de maio de 2015

Capitão e seu contador de estórias

        Não estou longe do mar... A taverna em que o Capitão tanto falou quando estávamos no mar, está uns cinquenta passos da costa ao norte. Enquanto caminho, sinto o vento frio e o mau cheiro que vem dos navios atracados no porto com o esgoto das ruelas onde tudo se mistura nesta parte da cidade. O Capitão não atracou nosso navio “Piece” no porto, nós atracamos as escondidas pelas curvas do mar e as ilhas. Chegamos nesta magnifica cidade em barco pequeno com alguns marujos e os outros marujos estão protegendo o “Piece” do Capitão. Minha primeira vez nesta inspiradora cidade e tenho ordens para descrevê-la toda ao Capitão. Ele já a conhece, meu trabalho aqui é de dias para escrever minhas estórias colocando cada parte da cidade e tenho ordens de escrever no mínimo três que se passa na Taverna da Berenice.
– Capitão – Grito depois de passar pela porta da taverna
– O que me trouxesses? – Diz ele sem me procurar. Sentado no canto da taverna distante da porta com duas raparigas em seu colo que lhe servem Rum em sua boca.
– Mais uma estória Capitão, não pediu estórias?! Fui procurar por elas Capitão! Vamos passar mais tempo aqui, chegamos ontem e eu já tenho duas estórias, olha que incrível...
– Que tipo de estória Marujo? Não me venha com qualquer uma!
– Capitão... Eu estive nas ruelas, nos becos, nós lugares feios, sujos e frios. Talvez tudo se repita quando estamos sempre nos mesmos senários...
– Não seja um vil como a maioria dos seus personagens marujo! Não me faça sentir descaso por suas estórias, entregue uma boa aventura Majuro...
– Aqui Capitão. – Sento perto do Capitão e suas fêmeas entregam o rolo com uma estória. – O Capitão tira suas fêmeas de seu colo e se concentra na leitura. Ora bebe um pouco de Rum, ora me olha e retorna sua leitura até que segura me braço com a mão esquerda e tira sua adaga com a mão direita e me olha nos olhos dizendo:
– Majuro... Essa está estória está igual à de ontem, você que ficar sem sua mão?
– Não Capitão! Deixe-me ver... – Já na primeira frase que li, notei que tinha cometido um erro entregando a estória de ontem ao Capitão.
– Perdoe-me Capitão aqui está à correta – Tirando do meu casaco outro rolo com a de hoje e antes que eu entregasse ao Capitão a porta da taverna se abre e seis soldados entram ficando em posição de tiro. Por eles passa outro que os representava, algum de batente maior e diz:
– Estamos aqui para prender o pirata Noah! Todos permaneçam em seus lugares... – Nisto o capitão pula sobre a mesa e saca sua pistola atirando na direção de quem fala e soltando um grito – Aos tubarões medíocres... – O capitão atinge em cheio o peito de quem anunciou sua prisão. Os outros seis soldados em posição de tiro disparam com seus mosquetes na direção do Capitão que pula sobre mais mesas e usa raparigas como escudo aos tiros. No meio do fogo cruzado todos procuram se salvar e eu como os demais também me esquivo para de baixo da mesa rápido, quando sinto uma fisgada na perna, como ao colocar a isca no anzol e acabar por perpetuar a mão. Após a primeira salva de tiros, o Capitão esta em cima dos barris de bebidas quebrando a janela com o cabo de sua espada. Ainda antes de saltar pela janela olha-me embaixo da mesa diz:
– Marujo... Se fatos sobre meu navio correr pela cidade, virei atrás de você antes que te enforquem para eu mesmo fazer você andar na prancha.
Após dizer, termina de pular a janela. Os soldados ficaram em dúvida em qual deles socorre seu superior e quem persegue o Capitão. Ouve uma pequena discussão para recarregava os mosquetes, alguns soldados não queriam perseguir o Capitão sem seus mosquetes, só de pistola e espada é pouco para os soldados que conhecem as histórias do Capitão. Por fim tinham que ser rápidos ou perderiam o Capitão de vista, então apenas três valentes soldados de espadas e pistolas foram atrás do Capitão. Um ainda correu em direção a janela que o Capitão acabara de soltar e atirando sem visão retornou aos outros dois que socorriam seu superior. Quando mais tropas chegaram na caverna lembraram-se do pobre contador de estórias em baixo da mesa e sangrando pela perna foi arrastado para prisão. Chegando na prisão ouviu que os três valentes soldados que correram atrás do Capitão foram todos mortos um a um em duelo com Noah. O Capitão está longe e todo homem que fica para trás é deixado para trás! Isto me passou pela cabeça, como o medo do que virá a seguir contra mim... Serei enforcado ou me torturarão até a morte para saber onde está o Navio do Capitão?

Nenhum comentário:

Postar um comentário