sábado, 25 de abril de 2015

Doce Balada

– Alice... Preciso falar com você. – Disse Alberto para Alice enquanto saem da sala de aula do curso de direito no intervalo das aulas na universidade. Mais à frente os outros três amigos que fazem parte do grupo mais sólido da sala. Eles estão sempre juntos dentro e fora da universidade. São conhecidos pelas festas que fazem na casa de um e de outro e, também pelas festas que frequentam. Alberto e Alice saem um pouco mais atrás dos outros amigos e pelo corredor Alberto conversa com Alice:
– Eu sei que prometemos nunca mais falar sobre isto. Mas é que hoje no metro eu encontrei com aquela menina da boate...
– Como assim Beto... Que menina? – Pergunta Alice.
– Aquela da boate... – Cara de interrogação de Alice – Do doce que...
– Porque está falando sobre isto Beto? – Interrompe Alice.
– Porque hoje eu a vi no metro, ela entrou sentou-se perto de mim. Eu me lembrei de tudo aquilo...
– Ela reconheceu você? – Alice para no meio do corredor e encara Alberto. Ele olha para o chão e responde:
– Não! Ela me olhou, mas acho que não me reconheceu...
– Acha Beto? Reconheceu ou não?
– Não! Imagina se ela reconhecesse, estaríamos mortos!
– Amanhã pega outro metro, sei lá... É a primeira vez que vê ela depois desses meses, talvez fosse só acaso mesmo...
– Eu me sinto mal pelo que fizemos Alice... – Alice olha de um lado para o outro do corredor e sai puxando Alberto até o final do corredor e entrando em um dos pátios abertos diz:
– Esquece isto! Ela não reconheceu você e nem vai reconhecer! Ficou anônimo aquilo!
– Será? Quando você encontrou com ela no banheiro, ela não ouviu seu nome, os nossos?
– Beto... Eu estava no celular falando com o traficante no banheiro. A gente tinha combinado de comprar e eu fui ligar para depois irmos buscar no ponto e ela ouviu a conversa, pediu pra ir junto, falou que queria experimentar, estava bêbada já e ninguém a convidou... Nem perguntamos o nome dela, lembra? Você perguntou quem era e eu falei que ela queria comprar e se comprássemos mais um, ganhávamos outro, era bom pra nós, depois ela tomou o dela no carro com a gente...
– E fizemos aquilo com ela... – Alberto interrompe.
– Vocês gostaram, vai me dizer que não? – Alice fala com um sorriso estranho.
– Alice... Aquilo foi errado! Aproveitamos dela por está fora de si... Não deveríamos ter feito aquilo, mas você deu a ideia e nos encorajou a fazer!
– Beto... Não coloca a culpa em mim, vocês transaram com a menina no seu carro. Vocês quatro fizeram isto! Vocês aproveitaram que ela não sabia nem onde estava... Estava totalmente pirada, fora de si e vocês aproveitaram...
– Sim Alice! E por isto me sinto mal... Não deveríamos ter feito aquilo, foi errado!
– Cara... Cai na real, ela não sabe nem o que aconteceu. Estava dobada, não teve reação enquanto vocês faziam com ela... Acho até que gostou, nem ligou... Sai dessa, não é porque ela te viu hoje que tudo vai acabar para nós... Foi uma noite, estávamos nos divertindo... Foi divertido, estamos em grupo, todos gostamos e talvez até ela gostou e se não gostou, não tem como falar nada, ela não sabe nossos nomes e vai ver nem nossos rostos e hoje se provou isto, ela viu você e não reconheceu, ficou na dela, esquece isto Beto!
– E se fosse com alguém que conhecemos Alice?
– Beto... Chega disso! Nem fala pros meninos sobre essa conversa, é besteira falar sobre isto! Ela nem reconheceu você... Já voltamos à boate e ela não estava... Vamos dar um tempo de voltar lá e esquece isto... Ela não existe pra nós!

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