sábado, 25 de abril de 2015

Abundância para aquele que não tem

– Como é difícil encontrar você para conversar minha irmã... Quanto tempo, não?! – Disse assustando-a, passando do seu lado à sua frente com suas pernas cumpridas.
– Para algumas pessoas é difícil, porém converso com tantas, tenho tantos amigos... – Disse ela tirando-o da sua frente com suas grandes mãos em seu peito e ele ainda insiste em diálogo, porém agora conversando com suas costas:
– Você como me trata sempre. Éramos tão populares juntos na escola. Você mãozuda de uma letra linda que a professora cabeçuda ficava encantada... E eu, bem... Eu sempre fui pernudo, corria o recreio todo e ninguém me alcançava... Lembra quando representei o colégio?! Se não fosse eu, aquela escola nunca teria ganhado troféus! O diretor olhudo disse isto aos nossos pais certa vez... Mamãe braçuda e papai pézudo, como eles nos fizeram de tudo para continuarmos juntos e iguais.
– Nunca fomos iguais e eu ainda sou popular! Eu sempre fui à bonita, inteligente, engraçada e bem humorada da família... – Disse ela passando suas grandes mãos pelo cabelo, depois pelo rosto e por fim ajeitando seu broche.
– Agora você está parecendo o meu amigo bocudo, lembra-se dele? – Para pergunta passa à frente da irmã com suas longas pernas. Ela o olha e depois virando o rosto caminha analisando as vitrines. Ele agora caminha ao seu lado: hora olha mais à frente e hora olha para o rosto rosado de sua irmã, continua: Ele Adorava assoprar papel pelo tubo da caneta em você, ele era apaixonado, como todos eram por você. Era engraçado quando ele tentava acertar você e acabava por jogar o mais babado naquela sua amiga nariguda. O tempo... Vocês ainda são amigas?
– Não te interessa! O que você quer com essa conversa? – Agora ela para. O Cruzamento das avenidas e o sinal fechado. Ele volta com um passo cumprindo ficando mais uma vez atrás dela e continua:
– Lembra quando você fez aquela tolice com a merendeira corpuda? Como não foi engraçado... Só que seus talentos e com ajuda da supervisora do pátio orelhuda tudo se reverteu ao seu favor.
– Não fiz tolice alguma, foi azar um erro bobo que ninguém deu importância... E depois gostaram mais de mim e continuaram a prestar mais atenção em mim. Hoje tenho mais oportunidades que você, ganho mais dinheiro que você! – O sinal abre e ela avança falando: – Mateus foi você quem sempre fez tolices e continua sendo um tolo, quanta besteira você disse agora, me encontra depois de tanto tempo para falar besteiras... É por isto que eu sou o que sou e você, bem, você é o Mateus né... ­– Ela termina sua frase e continua, chega ao outro lado sem olhar para traz. E com isto ela nem percebeu que ele ficou parado, não cruzou atrás dela.

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