terça-feira, 25 de novembro de 2014

Namorar, noivar, casar, sem amigar e que Deus me livre de Tia Solteira

       Quando sai da minha cidadezinha sabia que iria voltar, sabia porque estava em meus sonhos se casar na igrejinha da praça... Na mocidade namorei em casa com Joaquim. Aos olhos do meu irmão e de todos quando saiamos tomar sorvete, conversar no lago e fica na praça olhando para igrejinha depois da missa... No final do meu ginásio, fui estudar na Capital; vem de mãe para filha e, eu tenho de ser professora. Joaquim ficou e sonhava em bacharel mas, acabou por continuar na farmácia de sua família.  Ainda me lembro das nossas últimas conversas, sem ser nas poucas cartas que ele me responde, ele me dizia: Cidade grande muda pensamento e você docinho quando voltar se voltar, será outra... Aqui em casa dos meus tios continuo sonhando com meu casamento na igrejinha e talvez o que mude é o príncipe porque eu tenho de voltar para me casar na mesma igrejinha em que mamãe se casou. Igrejinha de Santo Antônio. Igrejinha que no mês de Maio recebe moças da capital para nosso rito que toda cidade festejava em alegria. Todos os casamentos da cidade acontecem na igrejinha da praça. É uma festa só... Falam nas missas de domingo avisando toda cidade – Está perto do casamento de Joana... Joana vai-se casar Sábado – No dia do casamento a praça da igrejinha e toda igrejinha é decorada, o lago também é decorado, as ruas são enfeitadas do lugar de saída da noiva até a igrejinha e da igrejinha até o salão de festas, onde todos da cidadezinha são convidados. A noiva chegava em cavalo branco puxado pelo Pai e mulheres casadas ficam na pequena escadaria com flores e enquanto a noiva sobe as escadas ganha flores até na porta da Igrejinha completando o buquê. Algumas noivas escolhem as flores de seu buquê e deixam antes com as mulheres da escada outras não escolhem e ganham flores que as mulheres casadas da família e da cidadezinha dão de coração: Rosas, Rosas Brancas, Rosas Vermelhas, Lisianthus, Orquideas, Lírios, Ruscus, Flor de Laranja e Boca de Leão. Às vezes ganha-se tantas flores e de tantos tipos que o buquê tem de ser diminuído ali na hora antes de abrir as portas escolhendo e enfeitando o buquê não o deixando exagerado. Para chuva de arroz escolhem-se os casais mais antigos ou os padrinhos para molhar os recém-casados... Quando saem pelas ruas até o salão, a noiva em cavalo puxado pelo noivo, atrás toda cidadezinha seguem em festa. Tiram-se fotos no lago, na praça da igrejinha, pelas ruas enfeitas, fotos com família e amigos, chega no salão em festa, música para o casal, corta bolo, brinde, dança valsa, cumprimenta mesas, janta, joga buquê... Lua de mel decorada pelas madrinhas e padrinhos ou paga-se viagem. Como eu sonho em me casar na Igrejinha da Praça.

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