terça-feira, 25 de novembro de 2014

Aprendiz de escritor

     No pequeno salão na frente da casa do (...) que antes foi um salão de beleza da sua mulher, o  ventilador de teto, duas cadeiras de estofado azul e uma mesa branca são todos os móveis no salão. O professor está sentando em uma das cadeiras com os dois braços sobre a mesa, dessas de professor, aberto por suas duas mãos: um livro e sobre a mesa mais uma quantidade de livros. O seu primeiro aluno ainda não chegou. Sua cadeira vazia posicionada na frente da mesa do professor está assim durante toda à decima semana em que o anúncio no jornal foi publicado. O professor usou de um pseudônimo nos anúncios do jornal (...) que ele considera o melhor entre os que correm diariamente na Capital. O anúncio, uma ideia para ocupar de seu tempo livre de professor de história e quando foi preciso de geografia, sociologia e filosofia, agora aposentado pelo Estado e Município. Com o anúncio espera por interessados em literatura e que deseja escrever melhor ou começar escrever. Para ele o único professor que o ajudou escrever seus trinta livros de gaveta foram os livros que leu. Sua vida foi dedicada ao ensino e é uma responsabilidade muito grande ser escritor. Sozinho, muitas vezes ninguém consegue usufruir de uma boa imaginação e por isto ele oferece ajuda para quem deseja encontrar os caminhos das histórias.
– Pare ai... – Disse o Mestre – você usou do que vê para descrever o início, isto é bom. O início até que é bom só que meio confuso no geral. Agora esse final confunde mais... Primeiro: ele o professor fala que seu único professor foram os livros, ora, se o professor não teve professor, então não existem motivos para ele ser professor. Quem quiser ser escritor que leia livros e tente criar suas histórias e, é claro, que não seja plágio das que leu. Então mude essa parte e tente imaginar quem é esse professor, por exemplo, qual o real motivo de alguém, o professor, anunciar aulas de como escrever? E é interessante também começar a imaginar quem é esse aluno, quem vai ser esse aluno... Eu percebi que você ainda não decidiu o nome do professor, seu perfil, fisionomia e se depois quiser mudar, mude...
– Começo do inicio? – Pergunta...
– Tente começar do que é necessário mudar – Diz o Mestre.
     Após longas três horas de leitura, o professor Batista levanta-se de cadeira e caminha em direção à porta de vidro na entrada do salão. Abrindo-a, olha por um breve período de tempo para seu lado direito da calçada e depois para o lado esquerdo passando cerca de dois ou cinco...
– Para... – Disse o Mestre e continuando: – Existem várias maneiras de se contar uma história. Você pode continuar assim colocando os mínimos detalhes, colocar cada passo, cada segundo do seu personagem, pode descrever cada respiração. Só que isto acaba por levar tempo demais, se tem: Ele acordou com o despertador do celular sete da manhã, sentou-se na cama e... Você pode escrever cinco páginas depois deste “sentou-se na cama” só com pensamentos desse homem. Ele pode ficar cinco páginas pensando sobre qualquer coisa... No meio do pensamento mais lindo, horrível ou de um basbaquismo sem tamanho ele é interrompido por sua mulher que acorda também com o despertado e lhe diz bom dia. E só se passaram cinco minutos do tempo que ele acordou e em pensamento estão cinco páginas. O tempo em uma história no livro é muito importante. Você pode simplesmente cortar coisas e sua história não perderá o foco, qual é o foco da sua? O professor ou o aluno?! – Pergunta o Mestre. 
– Ambos – Responde e o Mestre continua: – O professor espera um aluno que não chega. O leitor sabe disso, sabe que ele ficou três horas lendo e agora que se levanta talvez para fechar a porta, o leitor espera o fim da sua narrativa com simplesmente: ele fechou a porta e prometeu para si mesmo nunca mais anunciar aulas... Porém, um jovem leu o jornal um dia depois ou leu no último dia da publicação (sem saber que seria o último dia do anúncio) e resolveu ir outro dia por falta de tempo, qualquer coisa do tipo... E então tem esse jovem caminhando pela calçada olhando números de casas na procura desse professor que desistiu dos anúncios e de lecionar essas aulas com sua história terminando assim... Você tem várias coisas que podem acontecer e acho que sua enrolação no tempo está prejudicando você. Se você ler crônica, por exemplo, verá uma infinidade de formas de se contar coisas pequenas e grandes em curto tempo e mesmo em romances não se tem tanta enrolação, tantos por menores... Pode se lê um romance de quinhentas páginas e no fim você não sabe o nome do personagem principal e já ás vezes são tantos nomes e personagens em determinados romances que se cansa e se confunde sem saber qual era quem... Crônicas e contos na maioria das vezes é centrado em um único personagem, em um único fato que vai se desenrolando e terminar com duas páginas... Alguns contos têm somente vinte linhas e se diz tanto em vinte linhas... E não é necessariamente colocar nome, contar, relatar, imaginar, confundir, brincar com o leitor ou com seus personagens e suas histórias... O eu lírico narra toda uma história de duas pessoas sem dar nome para elas... E o tempo então... se tem: acordou, tomou café, foi ao trabalho, fez sua hora do almoço, saiu do trabalho e quando chegou em casa viu que sua rotina era tão sem graça que nem deu por vontade pensar como é, como foi, pois, todos os dias são iguais... Aqui agora me esqueço da quantidade de exemplos que existe sobre: romances, contos e crônicas. Ah!... Nunca deixei de anotar! Pensou?! Anote! Você não faz ideia de como sua história mais interessante que já imaginou escrever não começa porque você pensou nela no banho, olhando crianças no parque de diversão, no banco da igreja na hora da missa, antes de pegar no sono e aí você pensa: lembrarei depois... Qual nada... ela se vai e deixa você, como agora, como eu deveria ter preparado essa primeira aula melhor! Sabe?! Ter pensado e anotado o maior número de exemplos para melhor ser está aula... No fim ás coisas foi saindo e cá estamos, entende? Continue...
– Eu também me sinto despreparado, nosso primeiro dia começou com tudo... Eu lembro que assisti a um filme, não lembro o nome e, na primeira aula da menina o professor dela só pedia para ela imaginar, usar sua imaginação, acho que é isto mesmo... Posso continuar?! – Pergunta.– Por favor... E só uma coisa que quero dizer, não se escreve um livro pensando como em um filme, pelo mesmo pra mim não é assim que se conta uma história... Você já viu um filme que se torna livro? Geralmente são livros que se tornam filmes... – Diz o mestre.
     Batista com seu corpo alto e magro em roupa social ficou da porta olhando o pouco movimento da rua e da calçada. Seu cabelo preto e liso penteado para o lado direito e seus olhos pequenos em face magra observa da porta uma senhora que caminha até ele com seus passos lentos. Parando de frente ao salão disse:
– Boa tarde... Estou procurando pelo professor que ensina como escrever, eu li... – Antes que a senhora completasse, Batista que enquanto ouvia ela pensava: meu primeiro aluno? Disse: – Sim! Sou eu!
– Ah!... Olá... – disse a senhora – Me chamo Janet com T mudo no fim: uma lembrança de mamãe. Eu venho tentando escrever um romance durante trinta longos anos... Quero contar – Batista interrompe mais uma vez a senhora, talvez pelo nervosismo do primeiro aluno, disse: – Por favor, entre e conversaremos aqui dentro. Eu sou Batista. A senhora leu o anúncio no jornal quando? – Falou Batista que mostrou a cadeira vazia para sua aluna e sentando-se depois em sua frente. – Essa semana... Agora pra sair de casa é uma dificuldade, nesta idade dos setenta e ainda com alguns problemas de saúde meu filho, é difícil... Contudo, quero tanto escrever a historia da vinda dos meus avós para o Rio, de meus pais, como conheci o amor, sabe?!
– A senhora deseja fazer um romance ou um livro das histórias da família? – Pergunta Batista.
– Os fatos reais eu tenho aqui – falou tirando um caderno de capa dura da bolsa – Aqui está toda história que relembrando vou escrevendo... Comecei quando tinha cinquentas anos, recomendação medica. Agora quero escrever um romance, com nomes diferentes, podendo acrescentar coisas que não existiu, contudo, mantendo nossas emoções vividas.
– Vamos ver... – falou o professor pegando o caderno de dez matérias.
     Gostei... – O Mestre continua: – você conseguiu prolongar... Estou imaginando como vai ser quando eu pegar o que você escreveu para ler... Podem-se ter tantos erros em colocação das falas e nas palavras... Melhor não pensar e ler... Até agora, você pode continuar desenvolvendo como uma segunda história dentro dessa primeira isto é bom para romances. Pode-se ter o professor ajudando essa senhora e através do que ele ou ela lê você vai criando outra história... Só que quando se existe o fator data, porque ela fala que deseja escrever sobre seus avós, pais e sua história, tem que ter conectados fatos e isto ajuda incrementado o romance, pode pensar em imigrantes, viagem, guerra, com isto você tem um campo muito amplo do que só aquela história do professor que deseja ensinar o aluno a ser escritor...
– Pode ter no meio das histórias a morte da senhora, ela já deixou os relatos com ele e depois de trinta livros de gaveta, com esse ele resolve busca meios para publicar... Também posso dar um desinteresse do professor pela aluna e fazer um conto do que poderia ser um romance...
– Sim... Como eu disse: você tem campo maior agora para explorar... – Diz o Mestre.

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