sábado, 25 de outubro de 2014

Avô Pai e Filho?!

     Rubens tem dezesseis anos e planeja seu primeiro intercambio. Ele e sua Mãe Maria estão desenvolvendo essa ideia em conjunto com o professor particular de línguas do Rubens. Rubens ainda não se decidiu se vai aos Estados Unidos ou Canadá. Pela primeira vez ele vai falar com seu Pai Luís sobre qual lugar o Pai aconselha que ele vá...
     Em um domingo após o jantar Luís está deitado no sofá e folheia uma das revistas semanais que assina. Enquanto Maria cuida da louça do jantar, Rubens que foi ao banheiro e ensaiou por cinco minutos suas ideias, agora senta no sofá ao lado para conversar:
– Pai... a Mãe falou que desejo fazer intercambio?
– Ela me falou e eu gostei da ideia...
– Ainda estou indeciso quanto ao lugar... o que acha?
     Luís fecha sua revista, senta-se no sofá e coloca a revista ao seu lado esquerdo e olha para seu Filho. Este que antes tinha o corpo mais a frente com suas costas inclinada e os antebraços sobre os joelhos, volta seu corpo e encosta no sofá.
– Sem dúvida Filho você tem de ir para Rússia ou China!
– Rússia Pai? China... Não! Não quero ir para esses lugares não!
– Como não Filho... Seu Pai e seu falecido Avô Danailton vamos ficar tão felizes em ter um Morato... – Luís é interrompido por Rubens – Não Pai! Quero ir aos Estados Unidos; Nova Iorque, Califórnia, Los Angeles... – o Filho é interrompido pelo Pai – Não! Filho meu não vai fazer intercambio para esse país! Seu Avô deve ter revirado no tumulo com essas palavras!
– O que meu Avô que nem conheci tem com isto Pai?
– Já contei inúmeras vezes da luta de seu Avô pelo nosso país... Que ele e seus camaradas foram vítimas da Ditadura Militar. Ele quando tornou públicas suas ideias de Comunismo através do seu Jornal e depois foi preso e, nunca mais tivemos notícias dele que iniciava um grupo de militantes armados para fazer revolução...
– Então meu intercambio tem haver com sua política... Com essas ideias de querer governa com armas, opressão, censura... – Enquanto conversam a perna direita de Rubens chacoalha em ritmo com o seu nervosismo.
– Que isto meu Filho?! Essas coisas não existem mais...
– Tanto existe aqui como existe mais forte ainda para esses lugares que o Senhor deseja que eu vá... Eu andei lendo Pai!
– Lendo mentiras! Coisas desses que querem dominar o mundo meu Filho...  – O pai ficou nervoso com a ideia de intercambio para país que não lhe agrada...
– Países Oligárquicos... – diz o Filho.
– Você pode até achar seu Pai ingênuo por acreditar em um mundo igual para todos mesmo que seu início não seja do jeito certo, se é que existe um jeito certo... Mas quero que você tenha em mente que o Socialismo é importante por todas essas mudanças no mundo e em nosso país, hoje vivemos uma igualdade de direito muito maior...
– Esse relato de como seria encobre o como é... Esses partidos ditos do povo e pelo povo é só um meio de permanecerem no poder delineando ditaduras conseguidas pela força e com as doações para quem não trabalha, comprando suas vontades com dinheiro...
– Que isto meu Filho? Você ficou doido foi? Você não está dizendo coisa com coisa! Parece-me que você não entende é nada mesmo e por isto precisa fazer esse intercambio para clarear essas ideias – Maria chegou até a sala e ficando atrás do sofá do Luís, disse: – Olha só... meu Filho conversando de política com seu Pai... Vai seguir carreira meu Filho?
– Não Mãe! Não quero isto pra mim... Eu entendo as coisas de outra forma!
– Quem persuadiu meu filho contra seu Pai?
– Que isto Maria... O menino está com as ideias confusas e estou tentando clareá-las.
– Clarear não deixando que eu vá para onde eu quero ir?! – Diz o Filho enquanto Maria caminha passando entre Pai e Filho e, senta-se ao lado de Luís depois de colocar a revista sobre mesa de centro e diz: – Meu Filho... Sempre tentamos colocar diferença entre os homens... Você e seu Pai são iguais, cresceram em períodos diferentes, tiveram ensinos diferentes, mas mesmo assim você se tornará um homem como seu Pai – Rubens interrompe sua Mãe – Não serei político Mãe! Não quero isto pra mim! – Luiz diz: – Não quer representar o Povo meu Filho? Lutar por uma vida melhor para a sociedade... – Papai... – Rubens sorri e se levanta caminhando pela sala e aponta aos móveis – Olha nossa vida... Olha que temos em casa e o que se consegue com política aos povos – Luís se levanta também e diz indo na direção de Rubens – É por isto que o mundo está assim meu filho... Só conseguimos ver diferenças! Tudo é quantitativo, qualitativo, tudo é divisão, segregação... Filho... – Luís coloca uma mão em cada ombro de Rubens – É por isto que não quero que vá a um país formador de cultura de consumo, que você não consiga ver porque tudo lá não se mostra e tudo se paga. – Pai... quero ir para um país onde todos os homens são iguais... – Luís interrompe Rubens – Tudo bem... vamos decidir isto depois, mas primeiro quero explicar uma coisa... Vamos sentar – Luís caminha de volta ao sofá senta-se ao lado de Maria e Rubens volta ao seu lugar de antes e senta-se com as costas inclinada e seus antebraços nos joelhos. – Todos somos políticos meu Filho! O que ocorre é uma repetição inútil para o desaparecimento das variações que não são favoráveis e a manutenção das variações que o são: como os maus políticos persistem sendo hábeis. O meio entre os mais pobres e os mais ricos é quem se encarrega dessas variações: por isto o governo do meio é quem faz e fez por todos, sempre é o mais aceito e perpetua...  É nesta seleção onde desaparecem as variações que não se adaptaram depois da mudança. No país como o Brasil existe uma diferença enorme de políticos eleitos pelo povo em cada Estado que mesmo sendo o meio quem faz essas mudanças, elas não são iguais em cada Estado. E na maioria das vezes o que vemos nem sempre é... E o mais habito é aquele que através das diferenças de todos é eleito por eles mesmos representando uma ideia que nem sempre é a de seu partido, como se ele fosse solo. Ao contrario do que se pensa: que o mais forte é sempre o vencedor, às vezes o vencendo é aquele que nos leva para uma regressão, pois a força bruta não é o que mais vale em nossa sociedade. Você entendeu onde quero chega?
– Luís... nosso Filho é inteligente e é claro que entendeu... Não é mesmo Filho?
– Tah... Quando vamos decidir Pai?
– Olhe... talvez nem tenha como ir para Rússia ou China mesmo... Eu tenho uma ideia: Você vai à França: os criadores da direita-esquerda dos partidos e quando retorna terá de fazer uma faculdade escolher qual profissão seguir... Aí você pode fazer umas viagens de férias e decidir qual caminho seguir, o que acha?
– Por que eu não posso ir para onde eu quero?
– Porque sou eu quem vai pagar! Você ainda é menor e não quero você em lugar que não me agrada!
– Rubens... nós devíamos ter previsto isto... – diz Maria – Seu Pai é antiamericano... Já sabíamos disso... Vamos todos comer o bolo de sobremesa? Ainda temos tempo.... deixa essa ideia amadurecer. Precisamos do tempo para esclarecer tudo nessa vida mesmo...
– É... quem fica sem tempo sou eu e quem não vai onde quer sou eu... – diz Rubens abraçado com sua Mãe caminhando para cozinha...

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