quinta-feira, 25 de abril de 2013

Me sentindo muito sozinho

     Em um grande mercado no setor de almoxarifado, dois colegas de trabalho conversam:
– Cara... Estou apaixonado! – No primeiro minuto de trabalho com seu colega, Anderson, já tinha pensando em compartilhar seu estado de espírito, mas, por falta de oportunidade perante grande movimentação do trabalho, só agora, já quase na hora de saírem para o almoço eles conversam.
– HAHAHA... Por quem? – Diz o outro após uma gargalhada sadia. – Não é pela Renata né? (a caixa)
– Não! Eu conheci ela naquele meu trabalho de fins de semana...
– Como foi? Como ela é? – Diz o colega que trabalha e conversa ao mesmo tempo para não gerar problemas, enquanto Anderson, parece não se preocupar com isto e escora em uma das prateleiras.
– Ela sempre vai na lanchonete... Já faz dias que estou de olho nela, eu dei sorte que no sábado ela chegou com um amigo meu, ele mora no prédio da frente à kitnet que moro. Aproveitei para atender eles. Atendi normal: perguntei se ela estava bem, tal como sempre faço quando atendo ela, ela sempre me vê como um garçom é claro... E continuei ali por perto, fiquei puxando assunto com meu amigo, aproveitando é claro que eles estavam meio bêbados; ficavam falando pra mim tirar umas coisas da nota, coisa de amigo que quer aproveitar, falei que iria ver o que podia fazer e como ficaram enchendo o saco sai de perto e deixei eles comerem. Deu meu horário, eu saio as duas, fui saindo e ele perguntou pra onde eu ia, eu disse que iria pegar o buzão pra casa. Ele falou que me dava um carona, aí aceitei. Estava ele, sua namorada e ela...
– Entendo cara... Mais você pego ela?
– Sim! Sim! Tipo... Nem fomos pra casa! Saímos de lá e fomos ao posto, lá no 57 sabe?
– Sei sim! Sempre rola um som lá mesmo, o pessoal fica curtindo um som e tal...
– É! Então... Aí lá eu peguei ela... HAHAHA...  os dois sorriem – Na verdade ela me pegou!
– Como assim?
– É... Tipo, eu queria ir embora, estava cansado; já trabalho de segunda a sexta aqui e no fim de semana trabalho a noite, é foda!
– Sei... Mais como foi?
– Então... Eu lá quase dormindo encostado no carro, ela vem dançado toda louca e começa me beijar.– Seu colega ao ouvir, sorri como mona lisa; aquele meio sorriso e continua trabalhando, arruma prateleira, colocar mercadoria em outra. Anderson continua falando escorado na prateleira com sua vista pro tento, como se estivesse longe. – Foi demais!
– Só ficou nisto?
– É... A gente ficou se pegando por um tempo e depois a namorada do meu amigo quis ir embora, aí acabou tudo. Bom... Agora sei onde ela mora. É uma puta casa!
– Patricinha...
– É! Peguei o número dela. Liguei no domingo antes de entrar no trabalho, ela estava de ressaca, mas, conversou. Ficamos uns minutos conversando, mais sei lá... Ela parecia me responder por responder, não mostrou interesse, só respondia, nem perguntava nada, disse que faz faculdade de noite e depois disse vou desligar e desligou!
– Onde ela faz?
– Na mesma que você...
– Legal! Me mostra a foto dela no face aí, deixa eu ver se conheço ela... – Agora o colega de Anderson deixou de trabalhar e ficou na sua frente.
– Depois eu mostro... Agora fodeu cara!
– Por quê?
– Eu estou afim dela, quero continuar conversando com ela, mas, como vamos sair pra ficarmos? – Seu colega agora vê os olhos de Anderson ficarem vermelhos, parecem brilhar, ficam molhados e se ele piscasse, esfregasse com um dos dedos ou menos que isto, apenas abaixado à vista, talvez caísse dali alguma lágrima – Eu trabalho de segunda a sexta aqui e no fim de semana tenho que trabalhar na lanchonete. Aí não tem como a gente se ver, tipo... Sei lá se ela vai querer me ver também.
– Verdade cara... Por que não para de trabalhar no fim de semana?
– Seu eu parar como vou pagar minhas contas cara? Morar sozinho é foda!
– É! Mas me mostra a foto da gatinha aí...

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