terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Sessão de Terapia

     Após ele entrar pela sala escura e fria, aperta minha mão com impaciência e deita no divã. Eu sento na poltrona e dou início para ouvi-lo:
 
– Como das duas últimas vezes quero que fale o que lhe vem à cabeça.
– Hoje me peguei pensando mais uma vez se vale apena. Como é tão complicado!
     Uma pausa...
– Não existe o silêncio total! Em qualquer lugar que você esteja sempre haverá algum som, nunca o silêncio total. Esse som dentro da cabeça... Esse som que não cessa nunca, essa fala, esse discurso, essas teorias, essas lembranças, mas, cadê o silêncio? Quando eu fico só, quando essa voz fica só comigo, essa voz aqui dentro me priva do silêncio...
     Mais uma pausa... Ele deita sobre o ombro direito me dando as costas e passa olha uma fresta de luz que passa entre janela e cortina parando na parede e, recomeça com sua mão esquerda sobre a boca:
 – Um beijo pode salvar o dia inteiro! Como apenas um beijo curto e de olhos fechados, aquele em que o outro dentro de você te abandona naquele espaço curto de tempo, sem som... Silêncio... E o beijo... A mão no rosto... A mão com o perfume dela. Eu fico passando, passando pelo meu nariz e sinto o perfume e isto se torna viciante, fico passando lentamente e o cheiro me entorpece trazendo silêncio... Sem ela e seus beijos não existe silêncio interno!

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